Pocket memories

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This happens quite frequently when I'm folding clothes and putting them in the closet. I have this tendency of going through pockets and sometimes I happen to find money. But in the good times, I don't find money, I find something even more valuable - Memories.
It may be a piece of folded paper, a scrap, a receipt. Everyone has a date, a time stamp recalling a day. Gone. And a memory attached to it. The recent ones happen to be a book bought in the last day of 2009. It was a rainy day, my feet were soaked and my bones chilled. None of that mattered, you were with me.
A MacDonald's receipt, a fast lunch, smiles were hidden from others. Let us keep it a secret, for now...
A Beatles poster bought, the last poster! How fortunate of me! There were plenty of posters there, and I really want that Star Wars T-Shirt!
That day ended fast, no more memories were made and I regret that.

Going through old clothes could make you richer, but money only reminds you of material things. But isn't a book, lunch and a poster material? Yes, sure, they were even paid with money, but, you were there, it was the last day of the year, rained and the wind blew like hell and we were hidden!

Going through old clothes could make you wiser, make you remember of what was forgotten. Like reading a book, where each page is a pocket. And books make you wiser, right?

Right now, I threw those papers to the recycling bin and I'm regretting it. But that will create memories for others, won't they?
I decided to pick them up, store them away, maybe inside a book. I don't want my memories shared with a stranger. I want to share them with you.
And who knows? Maybe in near future, I can lend you the book or give the poster to anyone. Creating a chain memory. Like dust under a mattress, time will sweep memories away. But for that we have books, and pockets...

Controlar a liberdade.

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Vou fazer jus ao propósito do blog e vou novamente malhar na sociedade.

Há uns bons tempos, escrevi sobre a liberdade humana e os condicionamentos da mesma. Falei dos defeitos das pessoas e de escolhas.
Hoje o tema vai ser relativamente parecido.
Imaginem um grupo de pessoas, forte, invencível, ninguém os consegue derrotar, possuem força e estratégia, vantagens sobre tudo e todos. Mata-se o líder. Os restantes, formigas tontas ficam perdidas, desorientadas, fracturados, alvos fáceis.
Sem desviar-me muito do tópico da liberdade, queria apontar para o facto das pessoas necessitarem de orientação e  controlo, mas não será isto um sufoco à liberdade? Creio, estar a repetir muito a palavra.
Exemplos concretos, todos sabem que Angola foi uma colónia portuguesa e que durante anos viveu sobre o seu domínio e poder, era uma cidade rica e próspera! Quase que uma referência, mas quis-se liberdade, aos seus o que é seu, e assim Angola passou para o poder dos Angolanos. Conseguiram liberdade, e o que fizeram com ela? O meu pai esteve lá há uns anos em missão militar e constatou que o país parou no tempo, o que era outrora uma pérola africana, é agora uma cidade devastada pela liberdade. Angola é um país de contrastes, de ricos e de pobres, uma anarquia onde vence o mais esperto e que usa os outros. Um país livre, de facto, mas um país onde as pessoas estão-se completamente nas tintas, vivendo a sua liberdade. A população sem liderança, vagueia pelas ruas, destruindo o que foi grande e bonito, oprime os fracos, reina a lei da bala e da injustiça e da ignorância.
Mas aos seus o que é seu!
Outro exemplo passa-se comigo, desde que o meu pai saiu de casa que a minha mãe se regozija com a sua nova "liberdade", quando alguém lhe tenta dizer o que fazer, revolta-se que ninguém a controla mais e que foram 20 anos a mandarem nela e controlo. Justo. E o que faz ela com a sua nova liberdade? Torna-se uma Angola, desorientada e um pouco perdida entrega-se aos prazeres próprios dela, esquecendo o resto e quando as coisas têm de ser feitas, vem sempre a correr ter comigo a perguntar o que fazer, como fazer e quando fazer.
Um pouco contraditório.
No 25 de Abril, após livrarem-se de uma ditadura, foram logo arranjar outro líder, alguém que os liderasse, porquê? Porque é que se livraram de um controlo e foram se enfiar noutro?


- O país precisava de ordem! -


Mas antes ele estava organizado, de uma maneira um pouco peculiar, admito, mas estava. Com uma República passa a estar organizado de outra maneira menos peculiar (?).
Afinal é só uma questão de preferências? Contexto?


A liberdade é uma caverna escura e assustadora que o ser humano tem medo de se aventurar, não sabe o que lhe espera lá dentro. Daí que se refugia nas saias de um líder, o fogo que lhe vai iluminar a vida. O fogo é sinal de conforto, segurança e estabilidade, mas deixa-se o fogo sem controlo e os danos são avassaladores.
Ainda de acordo com o meu texto antigo, estamos condenados a ser livres, somos obrigados a tomar decisões e fazer escolhas, mas temendo o peso delas, a responsabilidade das mesmas, escolhemos obedecer a ordens, porque se as ordens forem más, as consequência são para o líder, lavamos as mãos daí.
Da mesma maneira se abatermos o líder de algum grupo, ditador, rei ou chefe de família, os que sobram vão se sentir desorientados, perdidos e presas fáceis para terceiros.
Irá ser sempre necessário existir liderança, regras, de conduta e etiqueta, morais e códigos e enquanto estes existirem não existirá liberdade no sentido lato da palavra. 
Ao escolhermos por nós, estamos a escolher por outros.


Controlamos a nossa liberdade ou somos livres para controlar?










Solene

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Hoje vivi o momento mais solene da semana.
Estava na faculdade, a uma sexta-feira o que se traduz por poucas pessoas presentes. Chuviscava lentamente contra os vidros do prédio principal. No átrio uma rapariga tocava violino harmoniosamente e com uma tristeza divinal.
Eu estava sozinho no corredor, encostado à varanda a observar toda a faculdade, pequenas formigas corriam para as salas, a minha professora sobe pesadamente com a mala de várias aulas. Sempre observando, vejo-a a aproximar-se.

- Bom dia professora, cá estamos.

Sigo para dentro da sala, sonolento e cortado. O violino continua, a chuva perdura. A faculdade está vazia.
As luzes de natal acendem-se.

Shakespeare makes everything good again.

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Eu queria escrever algo constructivo, juro que queria ou algo pseudo intelectual a apontar defeitos e a criticar algo. Queria colocar o meu barrete francês, armar-me em crítico e dizer para verem o último filme da moda ou então falar mal... da sociedade.
Queria falar de dadas pessoas, enchendo-as da minha verborreia virtual, acontece que tenho lapsos de memória e esqueço-me do que ia dizer. Isto está bom, está, eu que ambicionava a ser o próximo Cláudio Ramos versão homem, esquece lá isso. Não há rabo que aguente.

Então que posso dizer? Bem, tive um exame de literatura do Renascimento onde analisei Shakespeare, usando a palavra da moda, esmiucei o soneto. O Homem era esquesito, mas um génio, ficam aqui alguns favoritos.
Espero que gostem.

The little Love-god lying once asleep
Laid by his side his heart-inflaming brand,
Whilst many nymphs that vow'd chaste life to keep
Came tripping by; but in her maiden hand
The fairest votary took up that fire
Which many legions of true hearts had warm'd;
And so the general of hot desire
Was sleeping by a virgin hand disarm'd.
This brand she quenched in a cool well by,
Which from Love's fire took heat perpetual,
Growing a bath and healthful remedy
For men diseased; but I, my mistress' thrall,
Came there for cure, and this by that I prove,
Love's fire heats water, water cools not love.

A woman's face with Nature's own hand painted
Hast thou, the master-mistress of my passion;
A woman's gentle heart, but not acquainted
With shifting change, as is false women's fashion;
An eye more bright than theirs, less false in rolling,
Gilding the object whereupon it gazeth;
A man in hue, all 'hues' in his controlling,
Much steals men's eyes and women's souls amazeth.
And for a woman wert thou first created;
Till Nature, as she wrought thee, fell a-doting,
And by addition me of thee defeated,
By adding one thing to my purpose nothing.
But since she prick'd thee out for women's pleasure,
Mine be thy love and thy love's use their treasure.


Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou owest;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou growest:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this and this gives life to thee.  


Who will believe my verse in time to come,
If it were fill'd with your most high deserts?
Though yet, heaven knows, it is but as a tomb
Which hides your life and shows not half your parts.
If I could write the beauty of your eyes
And in fresh numbers number all your graces,
The age to come would say 'This poet lies:
Such heavenly touches ne'er touch'd earthly faces.'
So should my papers yellow'd with their age
Be scorn'd like old men of less truth than tongue,
And your true rights be term'd a poet's rage
And stretched metre of an antique song:
But were some child of yours alive that time,
You should live twice; in it and in my rhyme.
 

My love is as a fever, longing still
For that which longer nurseth the disease,
Feeding on that which doth preserve the ill,
The uncertain sickly appetite to please.
My reason, the physician to my love,
Angry that his prescriptions are not kept,
Hath left me, and I desperate now approve
Desire is death, which physic did except.
Past cure I am, now reason is past care,
And frantic-mad with evermore unrest;
My thoughts and my discourse as madmen's are,
At random from the truth vainly express'd;
For I have sworn thee fair and thought thee bright,
Who art as black as hell, as dark as night.

My mistress' eyes are nothing like the sun;
Coral is far more red than her lips' red;
If snow be white, why then her breasts are dun;
If hairs be wires, black wires grow on her head.
I have seen roses damask'd, red and white,
But no such roses see I in her cheeks;
And in some perfumes is there more delight
Than in the breath that from my mistress reeks.
I love to hear her speak, yet well I know
That music hath a far more pleasing sound;
I grant I never saw a goddess go;
My mistress, when she walks, treads on the ground:
And yet, by heaven, I think my love as rare
As any she belied with false compare.




 

Balance

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One moment you have it all, you're at the top, king of the hill and the glass if half full and the other, everything is gone.
You end up alone in the desert, no one to point you out. No glass to be found. Bare handed.

Curious.

Portugal, o Underdog

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Hoje durante uma aula de Prática de Tradução veio-me este pensamento à cabeça:

"A desvantagem de Portugal irá ser a sua vantagem"

Com isto quero dizer, que estamos sempre em último, somos sempre menosprezados, somos a cauda da Europa e ninguém nos dá importância. É este desprezo que faz com que Portugal seja uma criança pequena sempre à procura de atenção, aquele puto na parte detrás da turma com o braço no ar a chamar o professor.
Portugal é o underdog que procura afirmar-se em tudo o que faz, que se esforça.
Como não se aposta em Portugal, Portugal tem de apostar nos outros, os portugueses têm de sair do país e para isso aprender línguas é de facto um rito de passagem para o sucesso.
 Em termos linguísticos, Portugal é dos países com uma taxa de poliglotismo muito elevada, um jovem português, tirando a língua inglesa, sabe sempre outra língua. Na faculdade e se seguir um curso de letras, o número de línguas aprendidas pode ser quatro! Ou mais! Noutro país qualquer, a mente é tão fechada que é uma sorte falarem inglês com os turistas.
Este post até podia ter uma boa dose de sarcasmo face ao estado que vivemos hoje em dia, Portugal tem muitos defeitos, mas hoje só lhe vi as qualidades e neste momento sinto-me orgulhoso de saber tantas línguas. É pena que tal como tantos outros, tenha de sair do país para me afirmar.
Portugal é também uma rampa de lançamento para mentes brilhantes, um mão de manteiga que deixa escorregar o que tem de melhor.
Dentro de mim, quero acreditar que Portugal um dia vai-se destacar como país multi-cultural, isso ou espanhol, porque mais tarde ou mais cedo, deixa de haver Portugal e passa a ser Ibéria. Portugal e Espanha é uma miragem e quem sou eu para o impedir, se é para andar para frente, anda-se a dançar o flamenco. Olé!

Não obstante, Portugal és tipo aquela gaja podre de boa, mas burra que nem uma porta, ou, aquela gaja mesmo feia, mas super simpática e geek que todos nós queremos. No meio de tanta merda, há algo de bom.

Faz sentido

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Às vezes perguntava-me como é que as pessoas da Idade Média, Renascimento, etc se distraíam sem computadores, internet e videojogos, mas agora percebo.
Percebo também que foram nessas épocas escritas os melhores livros, poemas e peças de teatro.

Faz sentido, não?

Essas pessoas não tinham nada que os distraísse e então só se podiam inspirar, escrever e criar.
Estou aqui há horas para escrever um texto e há sempre qualquer coisa para descobrir na internet, ou algo para postar no Blário!
Shakespeare ou Pessoa nem imaginavam tais perigos à escrita, ah, e a preguiça...

Faz sentido, não!?